Carta do Morro da Providência e Pequena África

Conheça nossa História

“Lutar para mudar, mudar para melhor, melhor para TODOS. Isso é justiça climática!”

A Pequena África, formada por Morro da Providência, Saúde, Gamboa e Santo Cristo, nasceu ligada ao porto e às águas. Foi espaço de povos originários expulsos, centro do tráfico de milhões de africanos escravizados e território de resistências. Após a Guerra de Canudos, soldados ocuparam o Morro, origem do termo “favela”. Hoje, apesar das obras do Porto Maravilha e das desigualdades, a comunidade segue viva, criativa e lutando por direitos, memória e dignidade.

Eixos Urgentes!

"Superar a desigualdade urbana é construir um futuro sustentável"

Investimento em infraestrutura para distribuição igualitária e regular da água
Garantia de recursos públicos para a expansão e manutenção da infraestrutura de abastecimento e saneamento nas áreas mais vulnerabilizadas, corrigindo as desigualdades históricas de acesso; instalação de reservatórios coletivos no território com uma logística de distribuição eficiente; implementação de sistemas de captação de água da chuva nas moradias e à instalação de telhados verdes. Destacamos a necessidade de um filtro no sistema de abastecimento e do monitoramento da qualidade da água.

Mecanismos de combate ao calor extremo

Para combater o calor excessivo, demandamos a implementação de bebedouros de água potável, chuveiros e sistemas de nebulização e resfriamento coletivo pela região.

Fortalecimento da participação popular
As comunidades locais, especialmente as mais vulnerabilizadas, devem participar ativamente da elaboração, monitoramento e avaliação das políticas públicas relacionadas à água. Conselhos gestores, audiências públicas e fóruns comunitários são espaços importantes para essa participação.

Fiscalização e transparência

 Implantação de mecanismos eficazes de fiscalização do fornecimento e qualidade da água, com transparência nas informações. Órgãos públicos e organizações da sociedade civil devem atuar juntos para monitorar o cumprimento das normas e denunciar irregularidades.

  • Marco legal e responsabilização Fortalecimento do marco regulatório que assegura o direito à água, garantindo que haja mecanismos jurídicos para responsabilizar os entes públicos e privados em caso de descumprimento, incluindo a possibilidade de ações legais e sanções.
  • Integração intersetorial
    Articulação de políticas de acesso à água com outras áreas, como saúde, meio ambiente e habitação, para promover soluções integradas que atendam às necessidades reais das comunidades.
    Educação e conscientização
  • Promoção de campanhas educativas que informem os direitos da população, o uso racional da água e a importância da preservação dos recursos hídricos.

Direito à moradia digna à toda a população que habita tradicionalmente a Pequena África e o Morro da Providência
É fundamental que as políticas públicas reconheçam e respeitem os direitos das comunidades locais, promovendo soluções inclusivas e sustentáveis que garantam sua permanência e bem-estar, e que contenham a especulação imobiliária e os processos de gentrificação. Reivindicamos à restauração de prédios públicos destinados à moradia popular e planejamento imobiliário que atenda à classe popular, com incentivo público, como já previsto na contrapartida para as obras do Porto Maravilha.

• Criação de mais espaços verdes
Defendemos a criação de praças, espaços vegetados que atuam como ilhas de resfriamento, hortas comunitárias e agroflorestas que sirvam também como espaços educativos, valorizando os conhecimentos existentes no nosso território. A implementação de vegetação nas áreas públicas na região portuária deve se dar associada ao fortalecimento das iniciativas coletivas e familiares já em curso em espaços coletivos e quintais produtivos, com manutenção e ampliação das áreas de restauração ambiental já existentes. Há uma diversidade de iniciativas em curso, a exemplo da Providência Agroecológica, no Morro da Providência, que atuam vinculando a proteção ambiental ao fortalecimento dos laços comunitários, ao cuidado em saúde, à educação, à produção e ao acesso a bens artísticos e culturais. Essas ações contribuem não apenas para a recuperação e preservação de áreas verdes em contexto urbano, mas também para a construção de redes de apoio mútuo, o estímulo à economia local e a valorização das identidades culturais do território. Ao promover a integração entre sustentabilidade ambiental, inclusão social e produção cultural, tais iniciativas fortalecem a resiliência comunitária e reafirmam o direito à cidade para seus habitantes.

Acesso à alimentação saudável e sem veneno
Reivindica-se uma maior disponibilidade de alimentos saudáveis e não processados a preços justos que possam ser acessados via feiras livres e comércios locais, fortalecendo a economia solidária e a agricultura urbana e camponesa do estado do Rio de Janeiro. Reivindica-se, juntamente, o acesso à terra para a produção de alimentos saudáveis, associada ao acesso à moradia. Além disso, é essencial que a alimentação escolar seja fortalecida com produtos da agricultura urbana, familiar e urbana agroecológica, garantindo a ingestão de alimentos sem veneno, frescos e diversos para nossas crianças. Consideramos a agroecologia como um caminho importante para o enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas.

  • Ampliação do cultivo e uso de plantas medicinais e sagradas
  • De maneira interligada, o cultivo e preparo de ervas medicinais e sagradas tornam mais acessível o cuidado em saúde pela população, ao mesmo tempo em que promovem a integração entre saberes ancestrais e práticas de saúde comunitária relacionados às propriedades terapêuticas das plantas. Essas práticas fortalecem as redes de cuidado, respeitam as necessidades das populações e promovem uma maior autonomia em saúde, oferecendo alternativas eficazes para o cuidado coletivo, especialmente nos territórios historicamente marginalizados. Cultivar e preparar ervas medicinais e sagradas é uma forma de resgatar a conexão ancestral entre as plantas e as pessoas, fortalecendo a cura que vem do encontro entre terra e memória, natureza e cultura. Reconhecer e apoiar essas práticas de cuidado é fundamental para avançar na construção de sistemas de saúde mais eficazes e equitativos, que respondam às complexas demandas sociais e culturais do Brasil contemporâneo. 
Garantia do saneamento como direito básico Toda a nossa região deve ter o saneamento garantido, abrangendo o tratamento do esgoto, a drenagem da água das chuvas, a adequada gestão do lixo, além do acesso à água. Demandamos, especialmente, a instalação de banheiros públicos, coletivos e gratuitos, distribuídos pela região. Cumprimento da legislação municipal de coleta de resíduos com equidade territorial É urgente que as legislações municipais de coleta seletiva sejam cumpridas em todas as áreas do Morro da Providência e da Pequena África, sem discriminação de território. O serviço de coleta de lixo, atualmente realizado de segunda a sábado, não é suficiente e precisa ser ampliado, com atenção à distribuição equitativa entre todos os territórios, como exige o nosso direito à cidade. Plano estruturante de coleta de resíduos com base na realidade do Morro da Providência Demandamos a criação e implementação de um plano de coleta de lixo que leve em conta a topografia do Morro da Providência e sua realidade social. Nós não podemos mais ser obrigados a descer mais de 160 degraus para descartar nosso lixo. Precisamos de soluções logísticas que garantam a dignidade dos moradores, como o uso de máquinas de coleta com recompensas, inspiradas em projetos já existentes, onde a população pode trocar resíduos por benefícios. Esse plano deve também incluir o fortalecimento do controle de vetores para combater doenças e a valorização do trabalho dos catadores, com a garantia de renda justa, reconhecimento profissional e acesso pleno aos direitos trabalhistas. Sem justiça social, não há sustentabilidade.
  • Programa de educação ambiental para gestão de resíduos 
  • Reivindicamos um programa de educação ambiental robusto, com a participação de projetos sociais e agentes da prefeitura, para conscientizar a população sobre a importância da gestão de resíduos. É essencial que as escolas da região e as campanhas públicas trabalhem temas como a destinação correta de bitucas de cigarro, tampinhas e outros resíduos, estimulando a nossa participação e criatividade.

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