


A Pequena África, formada por Morro da Providência, Saúde, Gamboa e Santo Cristo, nasceu ligada ao porto e às águas. Foi espaço de povos originários expulsos, centro do tráfico de milhões de africanos escravizados e território de resistências. Após a Guerra de Canudos, soldados ocuparam o Morro, origem do termo “favela”. Hoje, apesar das obras do Porto Maravilha e das desigualdades, a comunidade segue viva, criativa e lutando por direitos, memória e dignidade.
• Investimento em infraestrutura para distribuição igualitária e regular da água
Garantia de recursos públicos para a expansão e manutenção da infraestrutura de abastecimento e saneamento nas áreas mais vulnerabilizadas, corrigindo as desigualdades históricas de acesso; instalação de reservatórios coletivos no território com uma logística de distribuição eficiente; implementação de sistemas de captação de água da chuva nas moradias e à instalação de telhados verdes. Destacamos a necessidade de um filtro no sistema de abastecimento e do monitoramento da qualidade da água.
• Mecanismos de combate ao calor extremo
Para combater o calor excessivo, demandamos a implementação de bebedouros de água potável, chuveiros e sistemas de nebulização e resfriamento coletivo pela região.
• Fortalecimento da participação popular
As comunidades locais, especialmente as mais vulnerabilizadas, devem participar ativamente da elaboração, monitoramento e avaliação das políticas públicas relacionadas à água. Conselhos gestores, audiências públicas e fóruns comunitários são espaços importantes para essa participação.
Fiscalização e transparência
Implantação de mecanismos eficazes de fiscalização do fornecimento e qualidade da água, com transparência nas informações. Órgãos públicos e organizações da sociedade civil devem atuar juntos para monitorar o cumprimento das normas e denunciar irregularidades.
• Direito à moradia digna à toda a população que habita tradicionalmente a Pequena África e o Morro da Providência
É fundamental que as políticas públicas reconheçam e respeitem os direitos das comunidades locais, promovendo soluções inclusivas e sustentáveis que garantam sua permanência e bem-estar, e que contenham a especulação imobiliária e os processos de gentrificação. Reivindicamos à restauração de prédios públicos destinados à moradia popular e planejamento imobiliário que atenda à classe popular, com incentivo público, como já previsto na contrapartida para as obras do Porto Maravilha.
• Criação de mais espaços verdes
Defendemos a criação de praças, espaços vegetados que atuam como ilhas de resfriamento, hortas comunitárias e agroflorestas que sirvam também como espaços educativos, valorizando os conhecimentos existentes no nosso território. A implementação de vegetação nas áreas públicas na região portuária deve se dar associada ao fortalecimento das iniciativas coletivas e familiares já em curso em espaços coletivos e quintais produtivos, com manutenção e ampliação das áreas de restauração ambiental já existentes. Há uma diversidade de iniciativas em curso, a exemplo da Providência Agroecológica, no Morro da Providência, que atuam vinculando a proteção ambiental ao fortalecimento dos laços comunitários, ao cuidado em saúde, à educação, à produção e ao acesso a bens artísticos e culturais. Essas ações contribuem não apenas para a recuperação e preservação de áreas verdes em contexto urbano, mas também para a construção de redes de apoio mútuo, o estímulo à economia local e a valorização das identidades culturais do território. Ao promover a integração entre sustentabilidade ambiental, inclusão social e produção cultural, tais iniciativas fortalecem a resiliência comunitária e reafirmam o direito à cidade para seus habitantes.
• Acesso à alimentação saudável e sem veneno
Reivindica-se uma maior disponibilidade de alimentos saudáveis e não processados a preços justos que possam ser acessados via feiras livres e comércios locais, fortalecendo a economia solidária e a agricultura urbana e camponesa do estado do Rio de Janeiro. Reivindica-se, juntamente, o acesso à terra para a produção de alimentos saudáveis, associada ao acesso à moradia. Além disso, é essencial que a alimentação escolar seja fortalecida com produtos da agricultura urbana, familiar e urbana agroecológica, garantindo a ingestão de alimentos sem veneno, frescos e diversos para nossas crianças. Consideramos a agroecologia como um caminho importante para o enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas.
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