



A Maré é um complexo de favelas localizadas na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, sendo elas: Morro do Timbau, Baixa do Sapateiro, Marcílio Dias, Parque Maré, Parque Rubens Vaz, Parque Roquete Pinto, Parque União, Nova Holanda, Praia de Ramos, Conjunto Esperança, Vila do João, Vila dos Pinheiros, Conjunto Pinheiros, Conjunto Bento Ribeiro Dantas, Nova Maré e Salsa e Merengue.
(i) Produção permanente de conhecimento sobre todos os tipos de impactos Climáticos no Complexo da Maré pela prefeitura, academia e terceiro setor, sempre com escuta ativa dos moradores da Maré sobre o que estão observando.
(ii) Planejamento e execução de políticas públicas para adaptação a esses impactos e de apoio aos que necessitem. Nenhuma obra ou política pública deve ser executada sem considerar as mudanças do Clima e ouvir a população.
(iii) Ações preventivas como fortalecimento dos equipamentos de saúde, da defesa civil e da comunicação com e entre os moradores.
(iv) Atenção especial deve ser dada aos eventos Climáticos de impacto direto na saúde e bem estar da população como inundações , ondas de calor ou agravantes perigosos do aumento do aquecimento global como a falta de saneamento básico
• Sistema de drenagem de águas pluviais
Como apontado, um dos efeitos mais visíveis do déficit de saneamento e relação com a crise climática envolve a drenagem urbana. Um dos meios para melhorar a qualidade de vida no território é pensar em um sistema de drenagem urbano que seja capaz de suprir as necessidades dos diferentes territórios, e que seja capaz de lidar com os episódios cada vez mais frequentes e intensos de chuva, evitando alagamentos e enchentes.
• Coleta e tratamento de esgoto
Além de melhorias na coleta de esgoto da Maré, há a necessidade de que o esgoto do território seja tratado. Dessa forma, seria possível evitar que toneladas de esgoto fossem descartadas incorretamente nos corpos hídricos que circundam a Maré, e pensar em um território mais sustentável.
• Baía de Guanabara e áreas de lazer
Há desde os anos 1990 o Plano de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), o que envolve tratar também seus afluentes, como o Canal do Cunha e o Canal do Fundão, que estão ligados ao Complexo da Maré. O alinhamento ao PDBG faria com que esses canais pudessem ser utilizados com viés econômico, como anteriormente, e faria com que as áreas verdes próximas a esses pudessem ser espaços de lazer no território.
• Revitalização e criação de novas hortas comunitárias
O Complexo da Maré possui sua maior horta comunitária na área conhecida na favela como “mata”, e nomeada como “Parque Ecológico”, situada na parte sudeste da Maré. Porém é a única área verde da região e é necessário implementar um sistema que garanta que as hortas tenham permanência ativa no território, oferecendo insumos e possibilidade de trocas de espécies entre os moradores, instituições e iniciativas que cuidam desses espaços.
• Implementar a política de reeducação alimentar e educação climática nas escolas
Diante da necessidade de se trabalhar o tema das mudanças climáticas dentro de sala de aula, de forma transversal e interdisciplinar, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou o Projeto de Lei 6.060/22. O desafio agora é implementar em todas as escolas da Maré para que questões como saúde e segurança alimentar sejam incorporadas no dia a dia dos alunos de forma a criar uma consciência sobre como eles são impactados e quais as soluções possíveis.
• Feiras agroecológicas e padrões de distribuição
Incentivar alguns pontos fixos nas feiras da Maré com barracas agroecológicas para eu seja distribuído produtos agroecológicos e materiais fruto de produtores locais, incluindo artesanato para disseminar conhecimentos e ideias sobre agroecologia, nutrição e saúde, auxiliando na reeducação alimentar.
• Garantia de acesso ao direito à moradia adequada, segura e resiliente no território
Com o avanço da crise climática, pensar em moradias adequadas, seguras
e resilientes no qual o processo de adaptação seja inclusivo e participativo, considerando as vozes locais dentro do território, são de suma importância para os próximos anos. Ressalta-se a necessidade de que essas adaptações sejam feitas primeiramente no próprio território, no qual políticas de deslocamento para territórios distantes da Maré só sejam permitidas umas vez que o território se torne inabitável por questões climáticas.
• Recuperação de ciclovias, instalação de sistemas de bicicletas compartilhadas e linhas de ônibus elétrico dentro do território
Pensar meios de transporte dentro do território é uma questão de mobilidade urbana, direito à cidade inclusiva, considerando questões de adaptação e até mesmo mitigação frente às condições climáticas. No verão, a Maré têm temperaturas altíssimas e que, devido ao planejamento urbano, colocam em risco idosos, gestantes e crianças. Uma Maré com opções de transportes sustentáveis reduziria a exposição desses grupos à temperaturas extremas, e aumentaria a qualidade de vida no território.
• Participação social como pilar na formulação de políticas de planejamento urbano
Deve-se ater a participação social como um pilar ao se pensar o planejamento urbano na Maré. A crise climática impõe novos desafios para a manutenção da vida, em especial em territórios periféricos. No entanto, é fundamental lembrar-se que esses territórios constituem memórias, afetos, coletividades e direitos, e portanto, devem ter suas necessidades ouvidas e incluídas na formulação e execução de políticas públicas.
• Ter mais mulheres pretas da favela nas tomadas de decisões
Como diz a frase ecoada por movimentos sociais: “Nada sobre nós, sem nós!” Entendemos que é fundamental a participação ativa de mulheres pretas e de favela nas tomadas de decisões no que tange o entendimento de que elas são linha de frente ao sofrer os impactos climáticos, portanto elas também devem ser protagonistas no desenvolvimento de soluções.
• Mapeamento dos conhecimentos e tecnologias ancestrais de
adaptação desenvolvidas na Maré
Acreditamos que pessoas em situação de vulnerabilidade são grandes mestres das adaptação devido a necessidade cotidiana de adaptar-se a situações adversas. No entanto, estes conhecimentos desenvolvidos ao longo da história e passado muitas vezes de geração em geração são muitas vezes invisíveis e pouco valorizados. Portanto, precisamos mapear os conhecimentos e tecnologias ancestrais dos moradores do território, valorizar e fortalecer o desenvolvimento das mesmas.
• Distribuição igualitária de energia elétrica nas diferentes regiões da Maré
Em locais no qual há constante oscilação de energia, fazendo com que ruas e demais espaços urbanos fiquem sem luz, gera instantaneamente um ambiente inseguro principalmente para mulheres! A crise climática intensifica o problema da falta de acesso a energia, portanto é necessário além de uma distribuição igualitária, que seja de fontes renováveis, dessa forma o território terá a garantia que a luz não faltará, criando um espaço mais seguro para as mulheres da Maré.