Manifesto

A justiça climática que defendemos e acreditamos está fundamentada nos princípios da interseccionalidade, interculturalidade, ancestralidade e diálogo com a população, tendo em vista a implementação de uma cultura baseada no bem-viver, no reconhecimento, cuidado e união entre os povos.

Quilombos, aldeias, periferias, vilas, favelas e comunidades tradicionais, em toda a sua diversidade, são territórios coletivos de resistência, cuidado e construção de futuro. Encontramos nossa força na união, no esperançar, na dor compartilhada e no inconformismo diante das injustiças. Nossos territórios são a base da luta por justiça climática. Ocupamos nossos lugares de fala com responsabilidade herdada das antigas gerações e compromisso com as que virão. É a partir desses espaços que cultivamos a escuta ativa, o respeito à diversidade cultural e territorial e a defesa inegociável dos biomas, sempre com uma perspectiva anticolonial. Somos potência, ciência ancestral e rede viva que mobiliza, participa e amplia vozes pelo bem-viver e por uma ação climática verdadeiramente justa.

Paralelamente, vivenciamos ausências históricas na garantia de direitos constitucionais e universais. Falta acesso à água tratada, educação, saúde, emprego e renda, regularização fundiária, mobilidade, entre outros — em especial o direito aos territórios, à água e à preservação da cultura. Estes são alguns dos elementos do racismo ambiental que dilacera autoestimas, mina o senso de pertencimento aos territórios e dificulta a preservação dos mesmos. Essa falta culmina na violação do direito dos grupos vulnerabilizados de permanência digna em suas comunidades.

A crise climática intensifica essas dificuldades, impedindo o acesso pleno aos direitos já conquistados. E, ao mesmo tempo, essas populações precisam da efetivação de seus direitos para que possamos pensar uma realidade climática justa.

Seguimos resilientes, lutando por dignidade, ancestralidade e vida. O letramento racial é um fator que garante o direito de permanecer e continuar a cultura, que é o que nos mantém vivos. O reconhecimento da nossa sabedoria ancestral como ciência é essencial para eliminar o epistemicídio que fomos submetidos ao longo dos últimos séculos.

A partir disso, nós, integrantes das Cartas de Direitos Climáticos, reivindicamos fundos de investimento que reconheçam, defendam e priorizem o auxílio aos territórios vulnerabilizados pelos impactos das mudanças climáticas e do racismo ambiental, visando à promoção de políticas que garantam direitos básicos para a proteção, adaptação e mitigação em nossos territórios.

Falar de crise climática sem garantia de direitos é perpetuar uma lógica de aniquilação. Não há luta pelo clima sem acesso ao básico.
Garantia de direitos é justiça climática!

Convidamos organizações, coletivos e movimentos a se unirem a essa mobilização coletiva.

Junte-se a nós e faça parte dessa mobilização!

Signatarios do Manifesto / Signatories of the Manifesto

Realização / Realization

Apoio / Support

Manifesto for Climate Rights: Knowing to Defend

The climate justice that we defend and believe in is based on the principles of intersectionality, interculturality, ancestry, and dialogue with the population, in order to implement a culture rooted in well-being, recognition, care, and unity among peoples.

Quilombos, Indigenous territories, villages, favelas, and traditional communities, in all their diversity, are collective territories of resistance, care, and future-building. We find our strength in unity, hope, shared pain, and nonconformity in the face of injustice. Our territories are the foundation of the fight for climate justice. We take up our voices with a responsibility inherited from past generations and a commitment to those yet to come. It is from these spaces that we cultivate active listening, respect for cultural and territorial diversity, and the non-negotiable defense of biomes, always with an anti-colonial perspective. We are a powerhouse, an ancestral science, and a living network that mobilizes, participates, and amplifies voices for well-being and truly just climate action.

At the same time, we face a historic failure to guarantee constitutional and universal rights. There is a lack of access to clean water, education, healthcare, employment and income, land tenure regularization, mobility, among others—especially the right to territories, water, and cultural preservation. These are some of the elements of environmental racism that undermine self-esteem, undermine the sense of belonging to territories, and hinder their preservation. This lack culminates in the violation of the right of vulnerable groups to a dignified life in their communities.
The climate crisis intensifies these difficulties, preventing full access to rights already achieved. At the same time, these populations need their rights enforced so we can envision a just climate reality.

We remain resilient, fighting for dignity, ancestry, and life. Racial literacy is a factor that guarantees the right to remain and continue our culture, which is what keeps us alive. Recognizing our ancestral wisdom as science is essential to eliminating the epistemicide we have been subjected to for centuries.

Based on this, we, members of the Climate Rights Charters, demand investment funds that recognize, defend, and prioritize assistance to territories made vulnerable by the impacts of climate change and environmental racism, aiming to promote policies that guarantee basic rights for protection, adaptation, and mitigation in our territories.

Talking about the climate crisis without guaranteeing rights is to perpetuate a logic of annihilation. There is no fight for the climate without access to the basics.
Guaranteeing rights is climate justice!

We invite organizations, collectives, and movements to join this collective mobilization.

Join us and be part of this mobilization!